ALIMENTAÇÃO

A Favor da mente

        De muitos anos sabemos que os alimentos têm influência direta com a saúde as doenças do corpo, mas raramente fazemos uma relação tão clara entre as funções mentais e os ingredientes que consumimos. Pois saibam que esses dados são cada vez mais estudados e os níveis de evidência são cada vez mais fortes.

Além de interferir no desenvolvimento de doenças metabólicas relacionadas a um processo inflamatório cronificado no cérebro como são exemplos a hipertensão arterial sistêmica e o diabetes mellitus.  Os alimentos que consumimos também podem estar diretamente ligados com alterações em algumas funções mentais como humor, concentração , memória, expressão afetiva e sensações subjetivas como irritabilidade ou fadiga.

Bom aí vão então algumas dicas sobre como os alimentos podem ajudar a nossa mente no dia a dia:

  1. Os grãos integrais como trigo, centeio ou cevada, quinoa e aveia são ótimas opções porque nos dão energia para o cérebro em forma de carboidratos complexos além de serem ricos em vitaminas do complexo B como a tiamina a riboflavina niacina e folato. Também contém minerais como o ferro o magnésio e o selênio. O L metil folato, metabólito ativo do ácido fólico, faz parte da cadeia que forma a serotonina, neurotransmissor  cuja desregulação  está ligada ao  processo de desenvolvimento de um quadro depressivo.

  2. A importância das frutas e das verduras na saúde como um todo não é uma novidade para você, o que você talvez não saiba é que a quantidade de refeições envolvendo frutas e verduras na dieta do brasileiro é geralmente muito aquem daquela recomendada pelos principais estudos. Segundo as pesquisas atuais, uma dieta adequada em vegetais é aquela que envolve porções fartas de frutas e legumes em pelo menos seis refeições diárias, ou seja, basicamente em todas as refeições: café da manhã, almoço, jantar e nos lanches que as  intercalam. As frutas vermelhas, são ricas em antioxidantes e  por mais que sejam difíceis de serem encontradas no nosso país, o ideal é que elas estejam presentes em pelo menos duas vezes na semana, dentre elas estão amora, mirtilo, morango, as uvas,  framboesas e outras. Os antioxidantes, a vitamina K , vitamina C e o folato estão muito presentes em vegetais verde-escuros folhosos e nos crucíferos, dentre os exemplos estão a espinafre, a couve, a salsa, o brócolis, os aspargos e a couve de Bruxelas.

  3. Em muitas casas brasileiras a carne vermelha está presente em todas as refeições, este é um erro alimentar comum na nossa nação. Apesar de serem importantes fontes de proteína, os animais mais recomendados são peixe e o frango, devendo a carne vermelha está restrita apenas duas das 14  refeições principais da semana.

  4. Se você tiver dificuldade de beber água, talvez seja importante se acostumar com o consumo de chás e sucos desde que você consiga consumi-los sem açúcar. A recomendação em relação à hidratação continua sendo de 2 litros de água por dia o que é correspondente a cerca de seis a oito copos.

  5. O vinho tinto e o chocolate amargo não estão assim tão liberados quando todo mundo pensa. A recomendação é de uma taça de vinho tinto ao dia exceto para aqueles que já tiveram algum problema de adicção, ao álcool nesse caso não devem consumir a substância. Quanto ao chocolate, o recomendado são 20 G ao dia e a quantidade de cacau deve ser superior a 70%.

        Consultar uma nutricionista é sempre importante para manter hábitos de vida saudável independente de ser ou não portador de um transtorno mental. Agora, se você faz uso de alguma medicação deve se preocupar em dobro com estas questões. A escolha de alimentos corretos pode ajudar no efeito benéfico de algumas medicações assim como pode  minimizar alguns efeitos colaterais como aumento dos colesterois e o ganho de peso relacionado com algumas medicacões.

A SÍNDROME DE BURNOUT

ARTIGOS

O modelo de
o r g a n i z a ç ã o
da sociedade
contemporânea vem
exigindo do ser humano capacidades
cada vez mais complexas e papeis sociais
que se acumulam sobre o mesmo sujeito.
Trabalhos que envolvem muitas metas,
produtividade, reuniões extra-horário,
plantões a distância, consultorias 24
horas por telefone, viagens... São rotinas
que se tornaram comuns para muitos
profissionais. A síndrome de “Burnout”
ou esgotamento é um transtorno
inicialmente descrito em executivos, mas
vem se tornando presente em todos os
profissionais.
Hoje, fala-se em Burnout não apenas no
contexto do trabalho, mas principalmente
no que se refere ao pouco equilíbrio entre
a vida profissional e pessoal. A cultura
das obrigações auto-impostas, como
fazer diversos cursos, continuar magro
para sempre, comer coisas saudáveis, ter
equilíbrio afetivo, guardar dinheiro para o
futuro, dentre outras, piora o contexto em
que a síndrome acontece.

Os primeiros sintomas surgem a partir de um esforço mental sobrenatural para se lembrar e cumprir tantos compromissos com rigor e maestria alcançando as expectativas da sociedade e principalmente o fato de se cobrar muito. Problemas de relacionamento com colegas, clientes e chefes e irritabilidade em diferentes cenários são sinais de alerta para a síndrome.Se não houver mudança na rotina surgem sintomas como: fadiga, cansaço constante, distúrbios do sono, dores musculares e de cabeça, intolerância,alterações de humor e de memória,dificuldade de concentração, falta de apetite e perda da iniciativa. Se não tratada a síndrome evolui muitas das vezes para um transtorno depressivo ou ansioso.O tratamento do Burnout é simples, mas exige comprometimento do paciente em especial na mudança de hábitos e na autoreflexão. Medicamentos podem ajudar inicialmente, mas o trabalho em psicoterapia e psico-educação são fundamentais para as mudanças efetivas e duradouras. Uma reflexão sobre o ambiente de trabalho e sobre o próprio conceito de felicidade deve ser estimulada e uma revisão na rotina é obrigatória!

A ansiedade é uma ferramenta cerebral que nos auxilia a antever problemas  e nos prepara para melhor enfrentá-los ,  se soubermos utilizar esse sentimento de maneira equilibrada considerando dados de realidade e compreendendo nossas limitações atingimos objetivos de maneira menos sofrida e com melhor êxito . Entretanto, o limiar entre o auxilio e o prejuízo muitas vezes é tênue e os transtornos de ansiedade têm  crescido de maneira acelerada atingindo de crianças a idosos.

             Na psiquiatria os t. de ansiedade agrupam vários diagnósticos que se diferenciam pela apresentação clínica e em geral têm uma estrutura ansiosa do pensamento como base para o surgimento dos sintomas, entre eles podemos citar a Sd. do Pânico, o TAG- Transtorno de Ansiedade Generalizada , as Fobias Específicas , a Fobia Social e vários outros. Esse grupamento de diagnóstico corresponde aos transtornos mais comuns da psiquiatria e muitas vezes não são tratados pela crença de que é possível melhorar sem ajuda. Em muitos casos a gravidade dos sintomas limita o convívio social e força o paciente a evitar ambientes ou atitudes responsáveis pelo desencadeamento das crises. A perpetuação do sofrimento e o prejuízo da qualidade de vida podem ser responsáveis pela evolução desses quadros para depressão.

         

ANSIEDADE

O pensamento antecipatório e geralmente fantástico, tremores, falta de ar, taquicardia, somatizações ( diarréia, ânsia, cefaléia, tonturas) , medo de morrer, medo inominado, medo de ficar sozinho e hipocondria são os principais sintomas dos t. ansiosos  podendo ainda aparecer desmaios, dissociações e despersonalizações. Por causar várias sensações físicas e pelo estigma da doença mental o paciente busca, quase sempre um especialista clínico antes de chegar ao psiquiatra. A busca precoce por ajuda é importante para não agravar o quadro e o tratamento envolverá psicoterapia e medicações. A maior parte dos casos tem excelentes resultados.

Os transtornos mentais são doenças cuja imensidão do sofrimento comumente leva pacientes á tentativa de findar sua vida. Existem algumas maneiras de evitar essa tragédia e por isso é preciso conhecer melhor o assunto sem preconceitos, receios ou interpretações religiosas.

A maioria dos suicidas são pacientes que tratam transtornos mentais como Depressão, Esquizofrenia, Transtornos de personalidade, Dependência química e outros , mas o suicídio também  ocorre com pessoas que não se tratam, muitas vezes por adiar a procura por ajuda ou acreditar que se livrará sozinho de sentimentos como desesperança , angústia constante e descrédito sobre o futuro. As pessoas que tiram sua própria vida, quase sempre alertam familiares, amigos ou profissionais de saúde antes do ato. Os interlocutores podem não dar crédito à essas queixas e chegam a interpretar como tentativa de chamar atenção, falta de religião ou pensamento esporádico acreditando que logo o indivíduo desistirá dessa idéia. Não devemos negligenciar esse pedido de ajuda!É importante entender que perguntar sobre suicídio não estimula ninguém a cometê-lo.

SUICÍDIO

Na mente de um potencial suicida predomina três características: 1. Ambivalência; há um duelo entre o desejo de morte e de vida, o que se quer na verdade é aliviar o sofrimento;2. Impulsividade; o intuito suicida se mantém por um tempo determinado e uma intervenção empática pode diminuí-lo; 3. Rigidez; a mente não enxerga saída para os problemas da vida e é muito difícil ver vantagens em se manter vivo.

O acompanhamento adequado com as diversas intervenções em saúde mental é o único caminho de evitar mortes por suicídio e a sociedade precisa estar mais atenta a essa necessidade!

DEPRESSÃO

O termo “depressão” tem sido usado no dia a dia para se referir aos sentimentos de tristeza, desânimo ou frustrações. Para a psiquiatria, o Transtorno Depressivo é um acometimento grave com repercussões em diversas áreas da vida cotidiana. Caracteriza-se por humor deprimido e falta de interesse ou prazer em situações que antes pareciam empolgantes. Esses sintomas comprometem a rotina de trabalho, a vida em família e a relação com amigos. Insônia, falta de apetite, choro fácil , irritabilidade , desesperança e uma sensação de que a vida não vale a pena estão intensamente presentes.

No ápice da depressão, o paciente parece não responder a estímulos de seus familiares e se sente incompreendido por todos. Muitas vezes, o indivíduo não quer procurar ajuda pois acredita que nada o fará melhorar e que seu sofrimento não terá fim.

É importante sabermos que o transtorno depressivo possui começo, meio e fim e que seus resultados, em geral, são positivos se o tratamento correto for feito. Isso envolve a terapia, o uso de medicações, atividades físicas e mudanças nas rotinas ou conflitos que estejam relacionados com o aparecimento da doença.

O papel da família é primordial no incentivo ao tratamento, mas quase sempre, só um profissional de saúde mental pode ajudar efetivamente. Os familiares devem incentivar a tomada das medicações, o comparecimento na terapia e ofertar palavras de compreensão e esperança.

Não confunda depressão com uma tristeza transitória e em caso de dúvida, procure ajuda!