BIPOLA

RIDADE

O T.A.B. ( Transtorno Afetivo Bipolar ) ou T.B.H. ( Transtorno Bipolar do Humor ) é um transtorno mental crônico com os mais variados níveis de gravidade. O Termo “ Bipolar” , assim como várias outras palavras usadas para os transtornos mentais , caiu na graça da população leiga , não sendo raro escutar “ - Nossa, eu estou tão bipolar ultimamente! ”, se referindo na verdade às variações de humor normais esperadas no dia a dia de qualquer pessoa.

Para a psiquiatria , o T. Bipolar corresponde à variações intensas e duradouras em relação ao humor basal de uma pessoa , cujas consequências e sofrimento trazem prejuízos claros à vida do indivíduo e seus conviventes. Ou seja, nada tem a ver com o fato de hora estar triste e angustiado e repentinamente se tornar alegre e festivo. As variações ocorrem , geralmente, não só na expressão do humor, mas também em questões relacionadas ao corpo como a necessidade de sono, a modulação da fome e do apetite sexual.

Existem dois tipos mais conhecidos de classificação do T.A.B. sendo chamados de Bipolar Tipo I e Tipo II . Essa classificação se refere à quantidade de variações do humor para cima ou para baixo , sendo o tipo I caracterizado pela presença de um episódio maníaco bem delimitado no tempo . Um episódio maníaco refere-se à elevação do humor, com perda da crítica sobre o comportamento mais esperado nos espaços e circunstâncias sociais. O paciente nesse estado , se torna mais falante e adotas tons de voz mais altos , há um fluxo rápido de idéias e pensamentos que pode atrapalhar a compreensão geral do discurso , a necessidade de sono diminui , a escolha por roupas , objetos e afazeres adota um tom de grandiosidade , ou seja , parece que tudo se torna maior , melhor e mais importante. No começo de um episódio de mania , fase que chamamos de hipomania, o sujeito pode se tornar mais criativo e produtivo, mas com o avançar do quadro clínico essa hiperatividade perde o controle e se iniciam claros prejuízos com possibilidade de evolução para desorganização total do pensamento e da psicomotricidade.

A classificação do quadro de bipolar tipo II refere-se ao predomínio dos episódios depressivos intercalados entre as fases de “hipomania” explicada acima. Os episódios depressivos ,nesse caso, são semelhantes ao do T. Depressivo Unipolar , que nada mais é que a Depressão comum que nós conhecemos.

O diagnóstico de Bipolaridade é sempre muito complexo pois há variações de humor e comportamento esperadas na vida de um ser humano que interage em uma sociedade de constantes mudanças. Ademias, os aspectos de personalidade variam muito conforme a idade , as buscas subjetivas e materiais e as etapas da vida. Ou seja, assim como todo diagnostico psiquiátrico , a bipolaridade exige do profissional psiquiatra a experiência clínica e o bom senso para ser devidamente categorizada. É exatamente pela complexidade diagnóstica e pela possibilidade de flutuações dos sintomas clínicos ao longo do tempo que o manejo medicamentoso se torna complexo. As doses e o tipo de medicação podem mudar várias vezes ao longo do quadro e atingir o equilíbrio é um desafio.

Um paciente com diagnóstico de T. Bipolar pode demorar anos para perceber que precisa de ajuda e , em alguns , poucos casos , existe a possibilidade de não necessitar de medicação. No geral, é possível encontrar medicamentos que levem o paciente à estabilidade sem prejuízos nas tarefas do dia-a-dia. O suporte familiar e um estilo de vida saudável podem ser decisivos na manutenção da estabilidade.